• Bruna Zimmermann

TERAPIA DE CASAL?

Atualizado: 5 de abr.

SEU RELACIONAMENTO ESTÁ PRECISANDO DE TERAPIA?


Sobre psicoterapia individual, costumo dizer que sou suspeita pra falar, pois acredito que todos deveriam fazer, por ser uma incrível ferramenta de autoconhecimento e desenvolvimento, sem precisar – necessariamente – de uma demanda específica para dar início. Mas e a terapia de casal? Quando saber o momento em que um relacionamento pode ir para terapia?


Acredito que o termo “terapia de casal” já caiu em desuso, e se não caiu, deveria. Particularmente, acho que a palavra casal não abarca toda a complexidade que as relações podem ter, que vai muito além de um homem e uma mulher que assumiram o matrimônio. Penso no atendimento psicológico de relações cujos formatos possam ser dos mais variados, seja a parceria casada de papel passado ou não, morando na mesma casa ou não, virtual ou à distância, homossexual, heterossexual, bissexual, com um parceiro, dois ou três ou mais etc. São infinitas as possibilidades, e por isso, o que importa é se você está vivenciando uma relação saudável e está satisfeito com o bem-estar que ela traz. Você está?


Nesse tipo de terapia, não se tratam os parceiros concomitante e individualmente, mas com o que eles representam juntos. A terapia é um espaço para compreender qual o melhor caminho para resgatar a qualidade da relação. Para tal, é muito importante que as partes estejam de acordo com o desejo de dar início ao processo.


Pela minha experiência, pude perceber que um dos principais momentos de se começar é quando a parceria identifica problemas na comunicação; quando o diálogo acaba ou se torna ineficaz. Muitas vezes, este é o fator que pode desencadear diversos outros conflitos. A trava na comunicação pode estar relacionada a dificuldades como: expor/ou falar de sentimentos, mudanças em relação ao desejo, falta de empatia ou autocompaixão, a presença de comportamentos abusivos/violentos, novas configurações e modelos de relacionamento (aberto, trisal, poliamor), questões sexuais, segredos, traições etc.


Além disso, ao contrário do que muitos podem fantasiar, a terapia não cumpre sempre com o objetivo de manter o compromisso do relacionamento tal como ele é. Muitas vezes há possibilidade de uma reconciliação saudável, com novas dinâmicas e comprometimentos, ou até, a construção de novos formatos, porém a questão do término também pode vir a ser um caminho de trabalho. Por isso, a terapia tem o objetivo de chegar ao bem-estar comum, independente do desfecho.


Como terapeuta, meu papel não é sugerir comportamentos ou ditar o que cada um precisa fazer, mas trabalhar como facilitadora nesse processo de comunicação, explorando todos os assuntos que venham a ser necessários. Além da escuta dos pacientes, também é possível utilizar algumas técnicas e dinâmicas para facilitar a auto expressão de cada um. Mas cada relacionamento é único, e com isso, as maneiras de abordar também o são. Não tem receita de bolo, nem manejo específico para cada demanda.

Agradeço a cada uma dessas parcerias que me ensinam a cada atendimento, e agradeço imensamente, a coragem e a entrega de coração aberto para que a terapia aconteça. Ela é um momento de muitas ressignificações, de parar e olhar para si e para quem está ao seu lado. Olhar para a escolha que foi feita no passado e reavaliá-la no presente, para descobrir se há caminhos para vislumbrar um futuro conjunto.







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