• Bruna Zimmermann

PSICOTERAPIA OU TERAPIA SEXUAL?

Atualizado: Set 20

MAIS QUE NOMENCLATURAS, UMA QUESTÃO DE ENTREGA


Quando digo às pessoas que sou psicóloga, tem gente que arregala o olho interessado para saber como é, já contando a vida para pedir algum conselho, ou às vezes tímido por achar que vou “analisá-lo”, ou com medo por achar que vou diagnosticá-lo... Enfim, isso sempre acaba provocando diversas reações, tanto positivas, como negativas, pois a psicoterapia, ainda hoje, é um tabu.


Mas não, ela não é para loucos, não vou receitar medicação, não vou julgar nem contar para alguém sobre qualquer situação contada no ambiente terapêutico. Além disso, também não tenho um divã para os pacientes deitarem, não vou dar palpite nem dormir enquanto ouço uma história.


A psicoterapia, assim como a terapia sexual, é um processo com sessões semanais, onde cada paciente tem um dia e horário para chamar de seu, e ali ele se propõe a contar e refletir sobre sua vida. Como psicóloga, me defino como uma facilitadora, cuja escuta é meu maior instrumento de trabalho, pois é a partir dela que vão surgir análises e intervenções, no sentido de auxiliar o paciente a seguir um caminho mais saudável e de maior bem-estar psíquico e emocional.


Já quando digo às pessoas que sou sexóloga, a situação fica ainda mais cômica, pois a temática da sexualidade é um assunto mais tabu do que terapia. Muitos ficam curiosos tentando entender como é a terapia sexual, se tem “parte prática”, se precisa tirar a roupa, se precisa necessariamente levar a companheira/companheiro/companheire junto nas sessões. Mas não, ao contrário de tudo que se fantasia sobre a terapia sexual, ela é simplesmente uma terapia que aborda temas específicos às questões da sexualidade, seja de forma individual ou casal (se for o caso).


Nas sessões individuais, o objetivo é fazer com que a pessoa amplie seu autoconhecimento e venha despertar a consciência do seu prazer e de todas suas potencialidades. Já na terapia de casal, o trabalho visa melhorar a comunicação dos parceiros, mediando uma reflexão e discussão sobre a dinâmica sexual do casal e seus objetivos.


Grande parte das demandas na procura da terapia sexual diz respeito às chamadas “disfunções sexuais”, mas que eu prefiro chamar de questões ou dificuldades relacionadas à sexualidade, que podem ser: dificuldade de sentir prazer e/ou atingir o orgasmo, falta ou excesso de libido, vício em pornografia, traumas e/ou abusos, dificuldades de se relacionar, ciúmes, traição, separação etc. As pessoas também podem buscar a terapia sexual para lidar com momentos específicos da vida, como: adolescência, durante a gravidez ou puerpério, pré ou pós cirurgias de modificações corporais ou redesignação sexual, no processo de envelhecimento etc. Além disso, também atendo casos relacionados à questão de gênero, como dismorfia corporal, pessoas que estejam passando pelo processo transexualizador, membros da família LGBTQIA+ etc.


Pessoalmente, penso que a diferenciação de psicoterapia para a terapia sexual acontece mais quando escrevo ou vou explicar meu trabalho. No dia a dia, acabo não diferenciando muito, pois na minha experiência clínica, percebo que muito da nossa dinâmica psíquica está relacionada, de alguma forma, à sexualidade. Às vezes é preciso lidar diretamente com ela, às vezes indiretamente, e tudo eu chamo de terapia.


Resumindo, não há por que ter medo de buscar um terapeuta para encarar suas angústias, pois é ele quem pode facilitar esse processo. A psicoterapia é um lugar acolhedor e seguro para auxiliar nessa caminhada de autoconhecimento e desenvolvimento. Para isso, o psicólogo é um profissional treinado na arte de ouvir, refletir e desconstruir padrões psíquicos e comportamentais. Basta ter coragem de mergulhar em si mesmo.


Vamos fazer terapia?




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