• Bruna Zimmermann

COMO É A PERINATALIDADE?

Atualizado: 5 de abr.

A HISTÓRIA DE DOIS AMORES QUE SE ENTRELAÇARAM


Esses dias me peguei pensando como fui da área de sexualidade à perinatalidade. Há distância entre esses caminhos? Hoje me vem uma resposta clara: não. Um assunto foi simplesmente levando ao outro, de maneira tão natural, quase que visceral – assim como os dois assuntos o são. A psicologia perinatal chegou despretensiosamente, e quando percebi, já era um amor que veio para ficar.


Sexualidade sempre foi o tema que mais estudei desde a faculdade, e ele foi desde então o principal assunto em todos os atendimentos que realizei desde que me graduei em psicologia. Ela simplesmente aparecia, mesmo quando ainda estava só no primeiro ano de especialização na área. Notei a perinatalidade aparecendo, também, de maneira muito orgânica para os atendimentos, e talvez isso se deva ao grande número de mulheres que foi aumentando na clínica ao longo dos cinco últimos anos.


Com isso, embarquei de “mala e cuia” para o universo feminino, pois as demandas me pediam estudos e pesquisas sobre fertilidade, ciclo menstrual, sexualidade na gestação e no puerpério, e quando vi, já estava cercada de mães e cuidadores. Já estava imersa em cursos sobre o tema e começando a especialização de psicologia e psicopatologia da perinatalidade, esta que é o período entre o parto até aproximadamente um ano pós-parto.


Hoje, mergulhada na relação com esses meus dois amores, percebo o quanto eles se conversam. Trabalhando com sexualidade feminina me deparo frequentemente com a falta que nós mulheres temos de contato com a nossa sexualidade e com nosso corpo. Percebo a gestação (seja refletindo sobre, gestando ou no seu pós) como um momento de se deparar com a sexualidade – sem ter para onde fugir. É momento de olhar para o corpo, sentir o útero, se familiarizar com a vagina, e gozar dessa potência de criação.


Vale lembrar que trago o conceito de sexualidade como diferente do conceito sexo (a relação sexual em si). Falo da sexualidade enquanto parte da nossa constituição; nós, seres que temos corpo, que sentimos prazer, que desejamos. Sexualidade diz respeito a nossa energia vital, a força que promove movimento à vida. É quem nós somos no mundo. Portanto, são duas áreas que não só se conversam, mas se combinam e se complementam.


Intervenções da psicologia perinatal são de extrema importância, uma vez que fazem com que muitas experiências não sejam patologizadas nem silenciadas. Atuar na perinatalidade é uma oportunidade de reverter a lógica psicopatológica e promover saúde mental.


Atendo principalmente mães que precisam de espaço para falar das tentativas de gravidez, dos abortos e perdas gestacionais, dos estigmas da sexualidade e maternidade, dos desejos e medos acerca das possibilidades de parto, das fantasias e dificuldades do puerpério e da amamentação, da vinculação com o bebê e tantos outros assuntos que permeiam a realidade perinatal. Assim é o trabalho na perinatalidade.


Obrigada a cada paciente que contribuiu para esse novo amor nascer. ♥





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